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Dr. Pedro Nabais: Como escolher a ração certa

16.7.12
Exclusivo| Escolher a melhor alimentação para o nosso amigo de quatro patas nem sempre se revela a melhor escolha. Ora, porque o nosso entendimento de todos aqueles nomes científicos se revela um tanto ou pouco difícil, ora porque achamos que a melhor é a que tem mais fama, ora porque achamos que se não faz mal ao do vizinho ao nosso também não fará. As razões são muitas, a explicação é única e verdadeira, como explica o Dr. Pedro NabaisVeterinário – Director Técnico Naturea Petfoods.

Sabia que de acordo com os últimos resultados da pesquisa genética entre os cães e os lobos, estes diferem em apenas 0,2% do DNA mitocondrial?

Na verdade, apesar de muitas vezes nos esquecermos disso, os cães são descendentes directos dos lobos, ambos são membros da família dos carnívoros e possuem um sistema digestivo idêntico, totalmente desenhado para digerir carne.

A própria anatomia, fala por si:
  • Os cães possuem uma boca grande, com uma só dobradiça, desenhada para engolir grandes pedaços de carne, e não para uma mastigação demorada e complexa. Os dentes são afiados e pontiagudos, para rasgar e matar as presas, sendo feitos para apreender e retalhar, não para moer, como acontece com os dentes dos omnívoros e dos herbívoros. Inclusivamente, os dentes molares são de forma triangular, com bordos irregulares, que agem como autênticas lâminas serrilhadas;
  • O trato digestivo de um cão tem um terço do comprimento de um omnívoro e um quarto do comprimento de um herbívoro. Este menor cumprimento, deve-se à mais simples e rápida digestão da carne, comparativamente aos vegetais.
  • Ao contrário do que acontece nos seres humanos, os cães não possuem amilase na sua saliva, que é uma enzima digestiva específica para a digestão de hidratos de carbono. Desse modo, nestes animais, a digestão destes nutrientes apenas se inicia no intestino delgado, que combinado com o pequeno comprimento do intestino, mostra o relativo pouco aproveitamento desses nutrientes.
  • O estômago canino tem uma alta capacidade de produção de ácido clorídrico, que coloca o pH gástrico perto de 1-2. Este pH extremamente ácido é uma adaptação biológica que melhora a digestão da proteína da carne e ajuda a matar as bactérias presentes na carne em decomposição, eventualmente ingerida.
  • As principais fontes de energia dos carnívoros são a proteína e a gordura. Os cães possuem um sistema fisiológico altamente especializado para a digestão de proteínas e de gordura, bem como um conjunto de mecanismos metabólicos que permitem retirar um maior aproveitamento energético destes nutrientes, em comparação com o que acontece com os omnívoros e os herbívoros.
Então, apesar destas evidências, por que razão nas dietas comerciais habituais dos cães são utilizados cereais, como o milho, trigo, cevada ou arroz, em tão grandes proporções, em vez da carne que é o seu alimento original?

Confira os próximos artigos do Dr. Pedro Nabais.